Em uma noite muito fria, há uns dois anos mais ou menos eu a encontrei toda suja de graxa na rua. Era tão pequena. Linda, de grandes olhos azuis. Oceanos que pediam por um carinho, por um colo, por um cuidado de verdade. Eu não tive escolha! Ela chegou na minha vida como um presente, algo que eu não poderia deixar passar. Até agora não entendo como e por que aconteceu tão rápido. A peguei no colo, levei para casa, limpei seus pequenos pêlos e arrumei um lugarzinho para que ela se aconchegasse. Naquela noite, ela chorou todo o tempo. Além de estar em um lugar estranho, ela não sabia o que estava acontecendo. Fique com medo de levar bronca dos meus pais. Mas não teve jeito. Liguei para eles e logo contei a novidade. A Marie havia entrado para a nossa família e já não tinha mais jeito. Marie Maria Arcanjo. Siamesa marrom, de profundos olhos azuis. Meu primeiro bichinho em 18 anos de vida.
Arteira, atrevida, audaciosa, rápida e pequena. Ela não cresceu muito. Não dei muita atenção para suas travessuras. Acho que eu poderia ter cuidado mais dela, ter dado mais carinho e uns afagos a mais. Mas eu não tive essa iniciativa! Fui covarde e sempre reclamava da falta de tempo e da alergia irritante que me atrapalhava. Infelizmente nesse último sábado ela já não amanheceu mais aqui. Estava dura, quase que em pose de despedida. Com muita doçura, graça e postura. Seus profundos olhos ainda estavam grandes e bem abertos. O maldoso que fez isso não tem ideia do que fez. Um animal inocente que deve ter agonizado por horas e horas. E eu, como sempre não estava presente para poder confortá-la. Perdoe-me. Hoje, as lágrimas são poucas para expressar toda a falta. Ela sempre fazia a recepção de quem chegava, melhor que um cão de guarda até. Agora deve estar fazendo suas doçuras ou travessuras em outro plano. Fique bem! Fique com Deus minha linda. Minha Marie Maria. Minha estrela cadente!

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