
A imprensa brasileira tornou o caso da garota Isabella Nardoni em uma novela que o público não cansa de aclamar pelo justo final...
A verdadeira gravidade do fato simplesmente se dilui na importância que a imprensa dá à divulgação em si do fato. Tornando assim a propagação da informação mais marcante que a própria informação.
Não importa mais o que aconteceu ou a verdade por trás do que aconteceu. Mas que se divulgue algo, não importa o quê.
A Rede Globo entrevistou os dois principais suspeitos tentando descobrir as verdades por trás de palavras e expressões. Talvez esse episódio entre para a história da comunicação como o momento mais fútil, egocêntrico e manipulador em que a imprensa se debruçou sobre uma fatalidade.
A Revista Veja, estampou um FORAM ELES na capa. Não cabe à imprensa julgar ou fazer investigação policial. A polícia não fala em acusados, apenas em “únicos suspeitos”.
A Rede Record mostra maçantemente todos os passos dos envolvidos no caso. Na reconstituição do crime, fizeram revezamento de jornalistas com o objetivo de apresentar qualquer furo que fosse importante para a mídia. Aumentando assim audiência. Essa é a verdadeira intenção de divulgar essa triste realidade. Audiência. Nada mais nada menos.
Através dessa saturação o acontecimento ganha uma gravidade irreal ao mesmo tempo, ganha a importância das banalidades. Pessoas perdendo o controle e voltando ao primitivismo. Querendo fazer justiça com as próprias mãos. O tumulto sempre é muito grande quando se trata de saída nas ruas dos principais suspeitos, o pai, Alexandre Nardoni e a madastra, Anna Jatobá.
Uma garota morreu e isto é triste. É óbvio que os culpados devem ser presos e pagar pelo crime. Mas tanto quanto qualquer outro culpado pela morte de qualquer outra pessoa.
Porém, a justiça é cobrada nas ruas incessantemente. A aclamação intensa da massa de “justiceiros” da cidade de São Paulo, grita, acusa, machuca, enfim, querem fazer valer a democracia popular, sendo que o regime do nosso Brasil conta com um júri que pode até mesmo libertar novamente quem a população quer ver literalmente a sete palmos.
A imprensa tornou excessivo esse episódio triste em uma história cheia de controvérsias, faltará o final feliz das novelas, mas neste caso, a ausência da garota tornará todos os dias inacabados para a mãe Ana Oliveira, que em entrevista ao programa Fantástico relata emocionada que “a noite é a hora mais difícil, era a hora que agente brincava, eu ajudava na lição de casa”.
A imprensa está matando o casal suspeito, e se eles não forem os culpados, não terão mais vida digna neste país.
Trabalho do Professor Anelson Paixão
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