quinta-feira, 15 de maio de 2008

A imprensa e a triste realidade de Isabella


A imprensa brasileira tornou o caso da garota Isabella Nardoni em uma novela que o público não cansa de aclamar pelo justo final...

A verdadeira gravidade do fato simplesmente se dilui na importância que a imprensa dá à divulgação em si do fato. Tornando assim a propagação da informação mais marcante que a própria informação.

Não importa mais o que aconteceu ou a verdade por trás do que aconteceu. Mas que se divulgue algo, não importa o quê.

A Rede Globo entrevistou os dois principais suspeitos tentando descobrir as verdades por trás de palavras e expressões. Talvez esse episódio entre para a história da comunicação como o momento mais fútil, egocêntrico e manipulador em que a imprensa se debruçou sobre uma fatalidade.

A Revista Veja, estampou um FORAM ELES na capa. Não cabe à imprensa julgar ou fazer investigação policial. A polícia não fala em acusados, apenas em “únicos suspeitos”.

A Rede Record mostra maçantemente todos os passos dos envolvidos no caso. Na reconstituição do crime, fizeram revezamento de jornalistas com o objetivo de apresentar qualquer furo que fosse importante para a mídia. Aumentando assim audiência. Essa é a verdadeira intenção de divulgar essa triste realidade. Audiência. Nada mais nada menos.

Através dessa saturação o acontecimento ganha uma gravidade irreal ao mesmo tempo, ganha a importância das banalidades. Pessoas perdendo o controle e voltando ao primitivismo. Querendo fazer justiça com as próprias mãos. O tumulto sempre é muito grande quando se trata de saída nas ruas dos principais suspeitos, o pai, Alexandre Nardoni e a madastra, Anna Jatobá.

Uma garota morreu e isto é triste. É óbvio que os culpados devem ser presos e pagar pelo crime. Mas tanto quanto qualquer outro culpado pela morte de qualquer outra pessoa.

Porém, a justiça é cobrada nas ruas incessantemente. A aclamação intensa da massa de “justiceiros” da cidade de São Paulo, grita, acusa, machuca, enfim, querem fazer valer a democracia popular, sendo que o regime do nosso Brasil conta com um júri que pode até mesmo libertar novamente quem a população quer ver literalmente a sete palmos.

A imprensa tornou excessivo esse episódio triste em uma história cheia de controvérsias, faltará o final feliz das novelas, mas neste caso, a ausência da garota tornará todos os dias inacabados para a mãe Ana Oliveira, que em entrevista ao programa Fantástico relata emocionada que “a noite é a hora mais difícil, era a hora que agente brincava, eu ajudava na lição de casa”.

A imprensa está matando o casal suspeito, e se eles não forem os culpados, não terão mais vida digna neste país.

Trabalho do Professor Anelson Paixão

terça-feira, 13 de maio de 2008

Jornalismo Literário

Uma nova idéia para os leitores assíduos de livros!

A jornalista Rebeca Ribeiro graduada na Faculdade Cásper Líbero, palestrou para estudantes da Faccamp, Rebeca foi jornalista do Jornal de Jundiaí de junho de 2005 até abril de 2008.

Rebeca frisa que o Jornalismo Literário necessita de uma dedicação maior sobre os detalhes do assunto, exige quase um bate papo com o entrevistado para que o jornalista entre no mundo do personagem, possibilitando expor mais características em seu texto, o que não seria necessário em outras matérias.

Utilizando técnicas de literatura no texto jornalístico, são matérias que geralmente duram mais, por conterem mais detalhes do fato dando ênfase para o lado que os leitores desconhecem. Salientando assim, o prazer pela leitura.

O Jornalismo Literário surgiu nos anos 60 nos Estados Unidos com o jornalista Truman Capote, que lendo um jornal notou uma notinha do brutal assassinato de uma família no interior de Kansas, nos Estados Unidos da América. Através de pesquisas, recolhimento de pistas e impressões escreveu o livro A Sangue Frio (1966), relatando desde a idéia inicial do crime até a condenação dos assassinos. Constituindo não só um documento, mas uma obra prima literária. 

No Brasil, o Jornalismo Literário foi resgatado pelo jornalista Caco Barcellos com o Livro Rota 66. O livro fala sobre assassinatos de jovens pobres, mortos pela Polícia Militar de São Paulo.

Implantado no ano de 1994 no Correio Brasiliense, o Jornalismo Literário aumentou em cinco anos sua tiragem de 16 mil para 94 mil exemplares.

O Jornalismo Literário é uma maneira de cativar os leitores com outra técnica textual, um texto mais envolvente, com jeito e estilo de conto, e principalmente, baseando-se em fatos reais. Tornando assim, o jornalismo ético mais criativo.

Se apaixonem!
Boa Leitura!