segunda-feira, 24 de março de 2008

Memórias da Rua A

Ela já não tem mais ladeiras tão íngremes, nem mesmo o cheiro natural de terra pairam no ar. No entanto, a única consolação são as lembranças que jamais serão apagadas. Tem uns que moram la desde o começo, outros não aguentaram a falta que fez o antigo e original, mas talvez fosse mesmo necessário o amadurecimento, a mudança.

A Rua A está cada vez mais deserta. Digo deserta de crianças, patos, cachorros. Há apenas o barulho de um processo chamado progresso. Carros, ônibus e o roncar de motocicletas.

Eu nunca poderia recordar disso, se não fossem as fotos e as histórias contadas por outros. Uma vez que não vivi essas emoções antigas e importantes, de uma vida simples, de uma época em que as pessoas davam valor para as coisas simples.

Em conversa com André Clemente, meu avô, um dos primeiros proprietários dos lotes da Rua A, descobri a importância de fazer parte de pedacinho da história da cidade. Para ele há uma maravilha em descobrir o novo, embora por outro lado exista a dificuldade que em começar do zero e construir junto com os amigos estruturas fortes capazes de sustentar quase que cinco décadas. 

André veio de uma cidade do interior de São Paulo chamada Iacri nos meados da década de 60, chegando à Rua A em 1965. Hoje, vive em outra rua no mesmo bairro, mas sua filha mais velha e seu filho mais novo vivem na Rua A com as suas respectivas famílias.

Segundo André todos os bairros mais próximos, como Jardim do Lago, Jardim Esplanada, Vila Progresso e Jardim Estádio, pertenciam a Companhia Paulista. Era uma fazenda que foi dividida e vendida para pessoas de várias localidades. “Naquela época era muito difícil, era tudo terra, não tinha luz, não tinha água, não tinha ônibus, e a luz demorou uns dois anos pra colocarem", comenta.

Estruturas que são capazes de construir novas famílias, novas mentes, novas casas dependem muito do braço forte de um patriarca determinado em crescer e levar sua família para a melhor posição possível.

Atualmente, a Rua A se chama Avenida Professora Leonita Faber Ladeira, está estendida por três bairros e perdeu muitas de suas características iniciais da década de 60, muitos residentes também se mudaram por vários motivos. Porém, o interesse de relatar essa história, tem profundo valor sentimental para André que conheceu as raízes de um projeto urbanista da cidade.

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