quinta-feira, 27 de março de 2008

O ficado


Acredite se quiser, este pode ser um tema interessante, ainda mais quando se trata de adolescência. Uma fase que estou passando.

Ficar por ficar e não ter nada. Será que é bom?

Uns podem dizer: o importante é não estar sozinho.

Legal. Daí quando você está triste em casa, e não tem ninguém, o que fazer? Os amigos nem sempre tem saco para ficar bajulando carências.

E aí, você vai ficar com quem?

Um namoro relâmpago, um simples “ficar” pode deixar marcas e até mesmo construir paixões passageiras que na maioria das vezes só nos faz sofrer.

Será que é legal mesmo você ficar hoje com alguém e nem ligar no dia seguinte?

Não, eu não estou julgando ninguém, eu já fiz isso muitas vezes, e eu adorava não ter que dar satisfações. A conclusão a que quero chegar tem relação com a transição de tempos, e o porque dos novos jovens usarem o verbo “ficar” para definir uma coisa efêmera, pois ficar é uma coisa concreta, ficar aqui, ficar ali.

Até mesmo no dicionário já qualificam como namorar (o adolescente) com um ou mais parceiros durante uma festa.

Esse deixar-se estar por um lado coloca pimenta nas nossas vidas e faz com que o entusiasmo não cause a tal doença do século. E ainda mais: te deixa popular, ou "faladinha".

Sem críticas, sem ofensas, e sem elogios, este é um assunto que pauta nenhuma pode fechar.

Mas se for prestar atenção, vale mais dizer que eu tenho um rolinho, do que dizer que eu tenho um ficante. O rolinho parece ser mais, mais, mais, parece mais firme.

Firme?

Ops.: deixa pra lá...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Memórias da Rua A

Ela já não tem mais ladeiras tão íngremes, nem mesmo o cheiro natural de terra pairam no ar. No entanto, a única consolação são as lembranças que jamais serão apagadas. Tem uns que moram la desde o começo, outros não aguentaram a falta que fez o antigo e original, mas talvez fosse mesmo necessário o amadurecimento, a mudança.

A Rua A está cada vez mais deserta. Digo deserta de crianças, patos, cachorros. Há apenas o barulho de um processo chamado progresso. Carros, ônibus e o roncar de motocicletas.

Eu nunca poderia recordar disso, se não fossem as fotos e as histórias contadas por outros. Uma vez que não vivi essas emoções antigas e importantes, de uma vida simples, de uma época em que as pessoas davam valor para as coisas simples.

Em conversa com André Clemente, meu avô, um dos primeiros proprietários dos lotes da Rua A, descobri a importância de fazer parte de pedacinho da história da cidade. Para ele há uma maravilha em descobrir o novo, embora por outro lado exista a dificuldade que em começar do zero e construir junto com os amigos estruturas fortes capazes de sustentar quase que cinco décadas. 

André veio de uma cidade do interior de São Paulo chamada Iacri nos meados da década de 60, chegando à Rua A em 1965. Hoje, vive em outra rua no mesmo bairro, mas sua filha mais velha e seu filho mais novo vivem na Rua A com as suas respectivas famílias.

Segundo André todos os bairros mais próximos, como Jardim do Lago, Jardim Esplanada, Vila Progresso e Jardim Estádio, pertenciam a Companhia Paulista. Era uma fazenda que foi dividida e vendida para pessoas de várias localidades. “Naquela época era muito difícil, era tudo terra, não tinha luz, não tinha água, não tinha ônibus, e a luz demorou uns dois anos pra colocarem", comenta.

Estruturas que são capazes de construir novas famílias, novas mentes, novas casas dependem muito do braço forte de um patriarca determinado em crescer e levar sua família para a melhor posição possível.

Atualmente, a Rua A se chama Avenida Professora Leonita Faber Ladeira, está estendida por três bairros e perdeu muitas de suas características iniciais da década de 60, muitos residentes também se mudaram por vários motivos. Porém, o interesse de relatar essa história, tem profundo valor sentimental para André que conheceu as raízes de um projeto urbanista da cidade.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Vivemos

Tudo que temos é o passado, e o que nos pertence é aquilo que nunca mais teremos. É o que ficou na nossa lembrança.

Viver é melhor que sonhar por que assim, brincamos de verdade, jogamos com a realidade e criamos histórias inesquecíveis.

Vivemos vivendo de um passado recente. Um passado tão constante e onipresente que passa despercebido por nossos olhos tão atentos as irreverências do cotidiano.

Esquecemos de esquecer algumas coisas inexoráveis que nos fazem passar. E muitas vezes deixamos de lado outras importantes coisas fascinantes, das quais deveríamos lembrar constantemente.

Vivemos tentando ser os melhores em tudo, só deixamos de lado muitas vezes os valores a que isso se acomete, e esquecemos de sermos os melhores para nós mesmos.

Criamos histórias, construímos fatos, e deixamos de ajudar quem mais necessita da nossa inteligência. 

Vivemos gravando na mente desprezos e tristezas, e esquecemos de olhar para a felicidade de poder existir neste mundo.

Deixamos de acariciar a cabeça de um amigo com medo do julgamento alheio quando o que deveríamos fazer era afagar um estranho.

Um olhar singelo, um sorriso bobo, duram segundos e não custam nada. Mas já fazem parte do passado.

Então sorria constantemente pra poder fazer do seu presente esquecido, um eterno passado vivido.