quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A base de chás e vento

Eu sei que já falei várias vezes que a minha vida mudou. Meu Deus! E como mudou. O fato é que as coisas acontecem de maneira tão rápida e singela que a gente nem percebe. E não é somente comigo que isso acontece, é com todo mundo.

O meu rosto mudou, o meu cabelo, as minhas opiniões, o meu jeito de falar... Tudo mudou. Eu me olho no espelho e não vejo mais aquela menina medrosa. Onde foi que eu a escondi?

Eu era muito apegada às coisas e enlouquecia só de pensar que teria que mudar de alguma forma. Sou metódica. Sou sim... Disfarçada, mas sou. “Isso é aqui, aquilo é ali. Por quê? Não sei. É ali e pronto.”

Hoje eu me pergunto: qual é a minha essência? Eu não sei e ponto. Eu não sei se escolhi a profissão certa, eu não tenho certeza se estou no caminho certo. Eu não sei nem se estou comendo as coisas certas. Eu não tenho certeza se sou sincera o suficiente para persuadir as pessoas. Eu não tenho...

“A vida poderia ter um manual de instruções.”

Ah como poderia! Eu não iria errar tantas vezes, brigar por besteiras ou simplesmente... deixa de planejar minha vida, minha história.

Agora me paro pensando no que vai mudar daqui pra frente? Eu sei que serão muitas coisas. Por exemplo, faltam oito para completar os trinta, mas a minha ansiedade quer saber como é, como fica... enfim... o que muda.

“Vou mudando, vou tentando, vou errando, vou tentando, vou acertando.”

Quem sabe um dia eu acerto de primera?

Quem tiver um manual aí, me indique. Mas não venham com livros do gênero Auto Ajuda, por favor. Respeito quem gosta ou escreve, mas esse não é o meu estilo. Não leio por nada!

Eu estou pilhada, preciso seguir um rumo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Esqueça a progressiva, deixe os cachos surgirem

Há cinco anos eu resolvi mudar o meu visual. Fui ao cabeleireiro que, na época, era um dos mais careiros da Vila Arens. Uma biba total, mas um profissional de primeira. Ele fazia uma escova progressiva que durava menos de um mês. Mas tava valendo.

O que eu mais queria era mudar de visú. Tirar todos aqueles cachos indefinidos que brotavam da minha cabeça feito arames farpados. Eu já estava cansada de tanto lavar, puxar aqui, puxar ali, passa creme para pentear, que empastava todas as mechas, prender com lacinho no topo e fazer uma trança no que sobrava. Ufa. Era uma briga geral todos os dias.

Fui à biba por um bom tempo, até que me indicaram uma cabeleireira de quintal, mas que era, aliás, até hoje é, mais careira do que um salão da Paulista. Encarei todo o dinheiro que ela queria para alisar as minhas madeixas. Mas o resultado até que foi bom, quero dizer, ótimo... Meu cabelo parecia natural. Parecia que eu nunca tinha sido castigada pela mãe natureza, devido à mistura genética dos meus pais.

Gastei todo o dinheiro que não tinha pra gastar naquela época. Mas eu era feliz e bem ajeitada até. Com o tempo o cabelo foi ficando judiado. Também pudera, era muita química para pouco cabelo.

Mesmo sabendo que a situação estava sofrível. Depois de tanta progressiva resolvi inovar. Fazer luzes para ficar um pouco diferente. SIM. Eu fiquei diferente. Tão diferente que a mistura de tantos compostos químicos fez meu cabelo se quebrar. Por Deus não quebrou muito. E isso foi bem próximo ao meu casamento. Imagina o desespero da criança!

Esqueci de mencionar que depois da mulher careira de fundo de quintal, fui a mais três profissionais. É incrível como cada um diz uma coisa a respeito do cabelo e da química. É pra ficar confusa ou não?

Agora estou tentando me livrar da dependência. Confesso que não está sendo nada fácil. Afinal, foram quase cinco anos acordando com o cabelo impecável. E agora estou acordando como um leão.

Não adianta vir me falar que está na moda os cabelos cacheados. Desde quando eu preocupei com a moda? O que eu preciso agora é me adaptar. Lembrar todos os dias que eu já não posso mais pentear as madeixas pela manhã. Lembrar que tenho uns cuidados a mais para que os fios não se quebrem e voltem a parecer arames farpados.

E o principal, lembrar que eu sou assim. Não adianta eu tentar ser outra pessoa. Por algum motivo, seja genético ou cármico, eu nasci com esses cachos e vou morrer com eles, mesmo que a chapinha seja a minha melhor amiga até o fim dos tempos.

A próxima etapa é cortar os cinco centímetros que sobram da última progressiva, e hidratar, mas hidratar muito. Igual aos cachos da Gisele Bündchen não vai ficar, porque ela tem cabeleireiros à disposição dela a cada clique. O que eu preciso é que os cachos fiquem no eixo. E acreditem, eles vão ficar!